O médico dos livros…

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Queria contar aqui a história do meu avô, “Seu” Vicente Flecher, um senhor que durante anos de sua vida dedicou-se a reparar e consertar livros da Casa da Memória e, posteriormente, da biblioteca da Casa dos Braga, onde trabalhou até seus últimos dias, trazido para lá pelo Dr. Gilson Carone e, depois, por Roberto Valadão, de quem era cabo eleitoral ferrenho. Tenho ternas lembranças dele na Casa dos Braga, onde eu sempre estudava, na biblioteca, enquanto Vovô clinicava em seus livros – sim, ele era médico, médico dos livros! Agora entendo porque andava de branco pelas ruas da cidade e todos que não o conheciam acham que se tratava de um senhor doutor. Vovô sequer pisou em uma faculdade, teve infância pobre e sofrida em Resende – RJ. Encontrou, no Cachoeiro de Newton Braga, o amor pelo ofício da restauro de livro, o que fazia com certa perfeição alemã que trazia em seu sangue. Seu Vicente era aficionado por Newton. Toda festa de Cachoeiro em que o Braga estava, ele colocava seu melhor terno, branco é claro, e ia saudar seu ídolo maior. Vovô também dizia que Cachoeiro tinha duas nobres famílias: Os Braga (por causa de Newton e Rubem) e os Sampaio (por causa de Raul, Sergio, Dedé e Hélio). Outra grata lembrança que tenho é a de Vovô sentado em uma cadeira no jardim da Casa dos Braga, Praça da Poesia, e eu, molecote, lendo crônicas dos donos da casa, ou pesquisando matéria de escola. Hoje tenho oportunidade de relembrar esse meu passado e de Vovô, pois sou colaborador na Secretaria de Cultura de Cachoeiro, com muito orgulho de ver que a sementinha que “Seu” Vicente Alfredo Mascarenhas Flecher plantou lá, há quase 25 anos, vem dando bons frutos. E, com saudade e nostalgia no coração, sei que Vovô, os Braga e os Sampaio então zelando pela Cultura da cidade e rezando por nós. (Fernando Flecher Barbosa, é neto do Dr. dos Livros).

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