Papai Noel chegou a Cachoeiro de Itapemirim

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Dia 29 de Novembro, uma noite chuvosa, estávamos presentes na praça Jerônimo Monteiro à espera da inauguração das luzes e da decoração de Natal de 2017. Estava vivendo um misto de sentimentos, a população reunida, ao belíssimo som da única Orquestra da cidade, formada por garotos que receberam oportunidades únicas através da arte. Trabalhadores, passantes, governantes, sociedade, uma aglomeração de pessoas em uma praça ansiosos. Cochichos, burburinhos. Uns falavam sobre a vontade de serem surpreendidos pelo evento, outros reclamavam entre os dentes:

– Para que tudo aquilo, se não se tem saúde e educação?

E eu ali só à espera, a Orquestra tocava com maestria, o Prefeito foi chamado para a oratória, foi sucinto e a inauguração foi regrada a um texto profundo e poético. As luzes se acendem, a população em sua maioria fica eufórica, a praça toda decorada ressalta aos nossos olhos e de repente a tão formosa casa do Papai Noel é acesa. Todos olham fixamente lá para dentro, crianças, adultos, todos ansiosos para saber se ele estaria lá. E lá estava o bom velhinho, acenando, para todos os olhares curiosos. Papai Noel chegou a Cachoeiro de Itapemirim.

É fato que não era um Papai Noel tradicional, não era grande e nem muito gordinho, muito menos tinha a voz do bom velhinho. Muitos por aí insistem em dizer que nossa cidade é tradicional, mas quem conhece nossa pequena Cachoeiro, sabe que de tradicional nós não temos nada. Aqui nasceram os artistas mais eloquentes que poderíamos um dia conhecer.

O que seria de Cachoeiro sem Sérgio Sampaio e sua música que põe fogo dentro da nossa mente e aquece nossos corações? O que seria da nossa pequena cidade sem o empoderamento de Luz Del Fuego e sua forma simples de mostrar que a mulher tem o poder? O que seria da Atenas Capixaba sem nosso grande mestre Rubem Braga que nos presenteou com uma família nada tradicional, cheia de gênios, de mulheres a frente de seu tempo e com muitas histórias para contar? Acorda minha gente! Não, não moramos em qualquer lugar, não adianta uma parcela da população querer denominar nossa cidade como um lugar tradicional, essa palavra não nos representa. A história não se apaga, ela se perpetua, novos já chegaram e muitos outros estão por vir.

Então não adianta, terá artista expondo na praça, terá atuação impressionando nos teatros, terá fotografia incomodando em salão de arte. Talvez não necessariamente nessa ordem ou nesses respectivos lugares. Más sempre terá, porque a arte está aí para nos ensinar que o tradicional nunca foi e nunca será o melhor caminho a se seguir, que ser diferente é esplendido e que Cachoeiro pode crescer e reconhecer as peculiaridades que tem. Por isso minha gente, sim, Papai Noel chegou a Cachoeiro de Itapemirim e esse ano tem apenas 1,54 de altura. Ho, ho, ho, Feliz Natal!

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